O jornalista Pedro Benevides viveu momentos de grande aflição ao ser internado de urgência no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Nas redes sociais, o próprio relatou o episódio, descrevendo-o como “uma descida ao inferno de que tanto falei nas notícias”.
“Quinta, ao fim da tarde. Vómitos, tonturas, desequilíbrio a andar. Chamada para o SNS24. Ambulância. Urgências, pulseira amarela, primeiro despiste de suspeitas de AVC.
Entro na sala dos “amarelos” e desço ao inferno de que tanto falei nas notícias, sem o conhecer de perto. Gritos. Idosos que caem das macas. Acompanhantes a prestar cuidados a estranhos porque faltava outro apoio. E a impotência — a de quem espera e a de quem trabalha com tão pouco para tantos.
O tempo custa a passar. Faltam profissionais. Faltam condições. E sobra cansaço, revolta e um sistema à beira do colapso. Mas ali estão eles: médicos, enfermeiros e auxiliares a aguentar o barco no meio da tempestade — insultados, esgotados, mas ainda de pé.
E antes que este olhar pareça o de um privilegiado, quero esclarecer que sou frequentador do SNS. As minhas 3 filhas nasceram nele. Sempre fui bem tratado no centro de saúde. E sei que o privado também já não dá resposta a tudo.
Felizmente, não era AVC. Era o ouvido interno — inflamação do nervo vestibular, responsável pelo equilíbrio. Na segunda imagem vê-se o video do meu olho perdido na escuridão.
Quando passo para Otorrino, o cenário muda. Corredores calmos, equipa incansável, mais exames e fisioterapia para reaprender a andar – literalmente, reaprender a andar e a mexer os olhos e a movimentar a cabeça, enquanto esta estranheza for o meu normal.
18 horas. Saí de lá com medicação, cuidados, plano de recuperação e uma bússola interna a precisar de realinhamento.
Agora em casa, não tenho dúvidas: o SNS tem de mudar, urgentemente. E mesmo assim – imperfeito, exausto, mas incrivelmente humano -, continua a ser um porto seguro.”
