Morreu James Watson, o cientista que revelou a estrutura mais interessante do mundo

James Watson, o geneticista norte-americano que escreveu uma das páginas mais decisivas da ciência moderna ao desvendar a estrutura do ADN, morreu esta quinta-feira em Nova Iorque, aos 97 anos. A confirmação foi dada pelo Cold Spring Harbor Laboratory, instituição que dirigiu durante décadas, e pelo seu filho Rufus.

Figura central na biologia molecular, Watson ficou para sempre associado à descoberta da dupla hélice do ADN, realizada em 1953 juntamente com Francis Crick, com o contributo de Maurice Wilkins. Pelo trabalho que redefiniu a compreensão da hereditariedade, o trio recebeu o Prémio Nobel da Medicina em 1962. A descoberta abriu caminho à genética moderna, ao diagnóstico molecular e, mais tarde, ao mapeamento completo do genoma humano.

Nascido em Chicago, Watson foi professor em Harvard e desempenhou um papel decisivo na criação do Human Genome Project, projeto internacional que identificou e catalogou os mais de 20 mil genes presentes no genoma humano. O seu nome tornou-se sinónimo de avanço científico, mas também de controvérsia.

Nos últimos anos da carreira, o geneticista enfrentou forte contestação depois de declarações consideradas sexistas e racistas. As polémicas levaram à sua demissão do Cold Spring Harbor e ao afastamento progressivo da vida académica e pública. Em 2014, Watson chegou mesmo a leiloar a sua medalha do Nobel, num gesto que muitos interpretaram como uma reação à perda de prestígio no meio científico.

Apesar das sombras, o impacto do seu trabalho permanece incontornável. A identificação da estrutura do ADN continua a ser uma das maiores conquistas científicas do século XX, moldando toda a investigação genética das últimas décadas.

A comunidade científica internacional prepara agora homenagens formais a um dos nomes mais marcantes da biologia moderna, cuja descoberta mudou para sempre a forma como a humanidade compreende a vida.